O Ensino Remoto Emergencial na Educação Infantil


Quando falamos sobre EAD e atividades remotas domiciliares, ou ensino remoto emergencial, são duas coisas distintas: precisamos saber separar categoricamente e conceitualmente essas duas realidades. Educação a distância, ou educação apesar da distância, é um modelo de aprendizagem que se desenvolve no Brasil e tem formado muita gente ao longo dos anos e que precisa ter seu merecido reconhecimento. Ela possui uma organização didática, de material, respeitando a experiência dos alunos. Na educação remota não se discute ensino, discutimos aprendizagem - aqui, não se trata do que o professor vai ensinar, mas do que o aluno precisa aprender. A partir das linguagens de recursos tecnológicos e digitais, a aprendizagem é promovida de forma coerente. Importante é lembrar que o EAD e o ensino emergencial são situações completamente distintas. Ainda que o último se utilize de ferramentas de referência do primeiro, o contexto em que ele acontece é o que o torna diferente. No cenário atual, o ensino remoto emergencial vem de uma realidade que ninguém estava preparado para enfrentar. Estamos em casa não por opção, mas por segurança e saúde. Desta maneira, o ensino e a escola não podem se ausentar. A escola precisa, de alguma maneira, transpor as suas experiências para dentro da casa das famílias e das crianças, tendo validade perante os órgãos educacionais para que considerem estas horas formativas, encaixando dentro do possível no calendário e nas futuras reposições. O sistema educacional como um todo terá que se renovar e reinventar no retorno.

Pensando em educação infantil, é necessário também entender as diferentes esferas dentro dela e como estes conceitos se aplicam. Na educação infantil temos faixas etárias e aprendizagens que funcionam de maneiras específicas - temos as crianças de 0 à 3 anos, formalmente chamadas de berçário e maternal, e as crianças de 4 a 5 anos, a pré-escola, que já possuem obrigatoriedade de ensino diante da lei. Além disso, os 200 dias letivos foram flexibilizados para 800 horas, que precisam ser cumpridas a partir dos itens da Base Nacional Comum Curricular na pré-escola. A fase inicial da educação infantil, do 0 aos 3 anos, é uma fase que ainda trabalha muito voltada para as vivências, mas, ainda assim, se utiliza da BNCC como pauta para os direitos de aprendizagem que precisam ser preservados. A escola de educação infantil deve sim chegar até as crianças e manter-se viva na memória e nos laços afetivos de cada uma durante a suspensão das atividades presenciais e o distanciamento social. O conceito deste lugar de vivências que a criança participa precisa sim ser mantido vivo. Não se trata de qual a melhor idade para ficar diante da tela do computador ou celular, não se trata de fazer EAD com crianças muito pequenas e bebês. Muitas famílias já estão utilizando as ferramentas digitais como entretenimento para os pequenos, devido a necessidade de atenção também aos seus trabalhos remotos de home office. Por que não utilizar tais recursos para manter a escola viva na memória afetiva dessas crianças, fazendo-a presente, com uma abordagem estudada para elas?

A família, neste momento, precisa readequar o dia a dia e se adaptar. Ainda que os pais não possuam o preparo do "ensinar e aprender", que é a ciência desenvolvida pelos profissionais de educação atuantes na escola, além da didática em equilibrar o momento de estar presente durante o ensino e o trabalhar também de dentro de casa, é necessário compreender que estar com as crianças não é somente ter cuidado e mantê-las seguras: a resposta para isto não é a repreensão ou a briga, mas sim a conversa para encontrar um ponto de união em que todos possam se ajudar efetivamente.

Isto reorganiza a dinâmica familiar, não por imposição da escola às famílias, mas porque é preciso compreender que o mundo todo está em uma situação sem precedentes em que todos os âmbitos sociais irão sim mudar - e a educação não sai ilesa disso. Aqui as famílias serão mediadoras das práticas educacionais, enquanto a escola irá orientar cada passo para estruturar este ensino dentro de casa, conforme previsto na base nacional curricular. A vivência, deste modo, pode ocorrer e precisa ocorrer, pois no retorno das atividades presenciais, a escola deve estar presente na mente das crianças para que o processo de adaptação seja menos impactante e logo seja possível se adequar à rotina ideal mais uma vez.

Esta fala do nosso diretor administrativo, Everton Renaud, fez parte da matéria do "Paraná no Ar" exibida no dia 11 de Maio de 2020. Confiram também a matéria completa no canal da ASSEPEI -> CLIQUE AQUI

©2018 por Assepei. Orgulhosamente criado por FabrikArt

Siga-nos nas redes sociais!

  • Facebook Assepei